AutismoInclusão Social

Garoto autista é campeão na Olimpíada Brasileira de Matemática


Um jovem garoto, de 13 anos, de Vitória, estado do Espírito Santo é o novo campeão da OBMEP –  Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.

A vitória tem um gostinho ainda mais especial, em razão do garoto ser autista. O raciocínio do garoto é acima da média, mas seu grande desafio é colocá-lo no papel. Ele obteve sucesso. Foi a Salvador e conquistou a medalha de ouro. Todo esse mérito acompanhado de sua mãe, chave importante desse sucesso.

autismo é um transtorno de desenvolvimento grave que prejudica a capacidade de se comunicar e interagir. No caso do Gabriel, o grau dele é leve.

Segunda vez

No ano anterior que participou, ele não conseguiu ganhar, pois ele precisava de um tempo maior para realizar a prova, o que não era permitido pela OBMEP. Ao ser alterada a regra, com o tempo estendido, ele consagrou-se campeão. Mesmo com o tempo estendido o local de prova foi o mesmo que dos outros participantes.

Na escola

A mãe conta que Gabriel, na escola, é acompanhando pela educação especial. “Ele é um aluno diferente que não tem interesse sequer de abrir a mochila para fazer exercícios, fazer anotações. Ele não faz. Vou te dar um exemplo: a professora ensinou fração e ele me falou: ‘mãe, é difícil ficar na escola. A professora ensinou fração, passou o dever na sala e ainda quis passar dever de casa’. Pra ele, já foi suficiente a primeira vez que a professora explicou. Ele aprende mais pelo ouvir do que pela prática, como habitualmente a gente faz”.

Incentivo

Ao perceber que Gabriel não estava muito interessado em fazer a prova, a mãe explicou a ele que se ele conseguisse ganhar a prova o prêmio seria de R$ 1.200,00, o qual poderia ser usado para a compra de um computador. Após esse incentivo, o garoto se animou. Segundo, sua mãe Gabriel não gosta que saibam o que ele está pensando, e o participou da prova também por vê-la como um desafio.

Altas Habilidades

Além do ensino regular, Gabriel é da turma de altas habilidades da Escola de Ciência Física e faz iniciação científica no Ifes e na Ufes de Matemática Pura e Aplicada. Em 2019, ele já passou na primeira fase da Olimpíada de Matemática e espera a segunda etapa em setembro.

Além de ter facilidade em aprender sobre inglês e jogos in-line.

Aceitação

De acordo com a mãe, desde a educação infantil a escola já apontava que Gabriel tinha algum grau de autismo, mas era difícil aceitar. Ela, que tem outras três filhas, acreditava que era uma questão de personalidade.

No terceiro ano, ele começou a fazer as provas da escola e fechá-las.

“No meio disso tudo, fui vendo que tinha alguma coisa diferente. Levei ao pediatra e ele foi fazendo acompanhamento com neuropediatra, psiquiatra, psicólogo até chegar o laudo dele. Na adolescência ele mesmo questionou se ele era autista ou não, levei novamente no ano passado e ele pegou um segundo laudo, que confirmou”, relata Andreza.

A confirmação do autismo leve veio aos 9 anos.

Bullyng

“O Gabriel sofria bullying na escola até o 5° ano. Ele não copiava. Os coleguinhas, que são crianças, também não queriam copiar. Eles achavam que ele era acobertado pela escola. Eles batiam no Gabriel, jogavam a merenda dele fora, chegaram a pagar colegas para tirar a roupa dele, ele passou por um bullying muito severo, porque ele não tinha laudo, não tinha atendimento de educação especial. Isso foi péssimo. Tive que trocar ele de turma. Fui à escola, eles fizeram uma semana de inclusão. Quando ele voltou, foi muito bem acolhido”.

Sumiço

Uma vez ele sumiu da escola porque ele tinha colocado um número na cabeça e foi para o ponto de ônibus contar ônibus. Diz ele que, quando chegasse naquele número, ele ia voltar para a escola, Andreza Barroca, mãe do Gabriel .

“Só que ele não andava de ônibus. A gente não sabe de onde saiu essa ideia. A gente imagina que foi alguma aula e ele quis chegar a um raciocínio. Ele tinha 11 anos. O menino sumiu no meio da Ufes”, lembra a mãe.

Hoje, Andreza está radiante com a conquista do filho e agradece o apoio dos professores e estagiários, que o acompanham diariamente.

O que é OBMEP?

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP é um projeto nacional dirigido às escolas públicas e privadas brasileiras, realizado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), e promovida com recursos do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Deixe-nos saber o que achou, porque sua opinião é muito importante para nós.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar