Ter filhos gêmeos é algo até que comum, mas quando ocorre um caso de gêmeos siameses, a família fica apreensiva, pois em alguns casos não é possível separar as crianças.

Gêmeos siameses se desenvolvem quando um embrião precoce se separa parcialmente para formar dois indivíduos. A maioria dos gêmeos siameses é natimorto ou morre logo após o nascimento.

Os bebês costumam ser ligados pelo tórax, pela pélvis ou pelas nádegas, em alguns casos pela cabeça. Os gêmeos podem até compartilhar órgãos.

Os gêmeos que sobrevivem podem ser separados por cirurgia. O sucesso depende do local por onde eles estão unidos e dos órgãos compartilhados.

Esse foi o caso das irmãs Maria Ysadora e Maria Ysabelle, que nasceram unidas pela cabeça, após um anos de idas e vindas oo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto as meninas poderão ir para sua casa em Patacas, distrito de Aquiraz, no Ceará, onde as gêmeas nasceram. Será a primeira viagem desde o início do tratamento.

Após um ano de idas e vindas ao Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP), as irmãs passaram por cinco cirurgias para poderem ser separadas.

A primeira operação ocorreu em 17 de fevereiro e durou cerca de sete horas. A segunda cirurgia, em 19 de maio, teve duração de oito horas. A terceira cirurgia ocorreu em 3 de agosto e também durou oito horas. A quarta cirurgia aconteceu no dia 24 do mesmo mês, quando os médicos implantaram expansores subcutâneos para dar elasticidade à pele e garantir que houvesse tecido suficiente para cobrir os dois crânios.

A última cirurgia, inédita no Brasil, durou 20 horas e envolveu 30 médicos, incluindo quatro norte-americanos. Entre eles o cirurgião James Goodrich, referência mundial no assunto e que acompanhou todas as etapas da separação das gêmeas.

A felicidade é muito grande, de poder sair com elas bem e em tão pouco tempo de cirurgia. Agora a gente vai poder passear com elas e, no dia 27, vamos para Fortaleza. Na virada do ano a gente vai levar elas para conhecer a praia, que elas não conhecem ainda”, planeja o pai das meninas, Diego Freitas Farias.

Segundo, Débora Freitas, mãe das meninas, esse é um momento de recomeço. “Meu coração está a mil. Não vejo a hora de sair daqui, estou contando os minutos. Eu falo que elas têm duas datas de nascimento: o dia 1º de julho é o dia em que elas nasceram, mesmo juntinhas, e que foi um aprendizado que Deus dá para quem pode superar tudo isso; e o dia 27 de outubro, que foi o dia que elas nasceram separadinhas, do jeito que era para elas nascerem”, explica.

Após um ano no HC, a despedida da equipe médica que as tratou foi emocionante, elas foram tratadas por uma equipe multidisciplinar que não mediu esforços para tratá-las As cirurgias foram lideradas pelo neurocirurgião Hélio Rubens Machado. Esta foi a primeira cirurgia desse tipo no país.

Segundo os médicos, após muitas incertezas, as gêmeas terão condições de seguir a vida normalmente. “É extremamente gratificante chegar ao final. Provavelmente, toda a nossa programação foi correta, era isso que tinha que ser feito e o resultado está aí”, afirma o médico responsável.

Ricardo Oliveira, neurocirurgião, que também acompanhou o caso das meninas afirma que  a evolução motora e cognitiva das meninas é considerada boa. “Elas estão muito bem depois da separação. Nós notamos nitidamente uma grande evolução nas últimas semanas, estão muito mais ativas nesse momento. Ver elas indo embora sorrindo, ativas, é de muita satisfação, um trabalho coroado com a alta delas”.

Após as comemorações de final de ano as meninas retornarão a Ribeirão Preto para inciar a reabilitação. Como elas ficaram dois anos sem poder se levantar da cama, terão que aprender a andar, ganhar força muscular e postura. Esse processo pode durar até 1 ano.

Segundo Machado,  “Elas precisam adquirir tônus muscular, postura correta, além da reabilitação da parte cognitiva. Desenvolver a parte da fala, da linguagem, da memória. Para isso, elas serão estimuladas em terapia ocupacional, psicologia, uma série de coisas que a gente junta no nome ‘reabilitação’. A finalidade é vê-las adaptadas para entrar na escola, correr, brincar, conviver com outras crianças. Esse é um planejamento de médio e longo prazo

Para os pais, sair do hospital significa o início de uma vida nova. “Só o que eu passei, agora posso dizer que estou aliviada. Minha luta não foi em vão. Esperei 2 anos e 5 meses para sair de carrinho com elas e isso é especial. É a primeira vez de muitas e um dia estarei correndo atrás delas”, diz a mãe das meninas.

Fonte e imagem: IPTV2


Após separação, gêmeas siamesas têm alta do hospital e comemorarão o ano novo na praia


Post navegação


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *